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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Pioneirismo na restauração de florestas tropicais: a história da Floresta da Tijuca


Vicejando num perímetro de 21 km² no Maciço da Tijuca e circunscrita ao atual Parque Nacional da Tijuca, a Floresta da Tijuca continua a refletir as diferentes relações entre natureza e sociedade, passado e presente, ciência e cultura.

O maciço que a abriga constitui um conjunto de montanhas onde se situam referências da paisagem carioca, como o Morro do Corcovado, a Pedra da Gávea, a Pedra Bonita e o Morro Dois Irmãos. Desde o período colonial a população nominava essa cobertura florestal como Matas da Tijuca ou Floresta da Tijuca.

Enquanto o cultivo do café avançava sobre as altitudes em redor da cidade, o uso do solo e as inovações dele suscitadas aca­baram por circunscrever, nas vertentes ao norte do maciço, o que se sagrou como Floresta da Tijuca, intimamente ligada à história de ocupação do território fluminense, aos ciclos econômicos e à construção da identidade cul­tural e científica da população que se estabeleceu nesse espaço geográfico desde a chegada da corte portuguesa até os dias atuais.


Plantação de café na Gávea Pequena, feita por Owen Stanley em 1847



Obra de Rugendas retrata a experiência mal sucedida de importar chineses para plantar chá nas encostas da floresta






















A intricada rede de relações sociais e de poder tanto teceu, ao longo dos séculos XIX e XX, a destruição de áreas naturais quanto ensejou a busca por soluções para os problemas decorrentes.


Os primeiros plantios destinados ao reflorestamento, em 1862, encontraram na escassez de água para abas­tecimento da cidade do Rio de Janeiro sua explicação histórica mais emblemática e, por que não dizer, romântica. Se aos olhos do colonizador europeu a percepção das matas tropicais era como de natureza bizarra e impeditiva ao progresso, sua substituição por espécies exóticas, comercialmente viáveis e capazes de gerar uma paisagem mais homogênea, à semelhança do Velho Continente, era mais que oportuna.

Em 1860 foi criado o Imperial Instituto Fluminense de Agricultura (IIFA) com o projeto inicial de modernizar, por meio de estabelecimentos de ensino agrícola e da divulgação de conhecimento, as práticas rudimentares usuais, aliando teoria à prática.

A maioria de seus membros eram proprietários rurais, porém também havia homens de ciência. Defendia‑se ali a produção de conhecimento próprio sobre os recursos do país, bem como a resistência à introdução das práticas europeias como verdade absoluta.


O major Archer, que comandou o replantio da Floresta da Tijuca

Embora estabelecido por portaria o plantio regular de árvores, num sistema de mudas e sementeiras, e com arvoredos do país, em linhas retas paralelas, com distância fixa a partir das nascentes, o major Gomes Archer – primeiro administrador da Floresta Nacional da Tijuca – optou por reproduzir a fisionomia desordenada da floresta tropical, o que mais tarde foi reconhecido.

Essa atitude sugere refletir sobre as posições identitárias de construção de uma ciência nacional, dispersa entre os homens de ciência e os intelectuais à época.

As mudas vieram da Floresta das Paineiras (próxima ao Pico do Corcovado), de Guaratiba e outras mais cul­tivadas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ). As coleções botânicas provenientes do Maciço da Tijuca e depositadas no herbário do JBRJ somam três mil espécimes e podem servir de fonte informativa para o estudo histórico da paisagem.

Um embrião do que se compreende hoje por restauração ecológica pode ser encontrado nas práticas de Archer, cuja seleção de espécies – privilegiando a coleta de espécies autóctones à serrania –, bem como o arranjo espacial empírico – valendo‑se de sua experiência em campo ao observar a organização natural dos indivíduos na fisionomia local e as associações de espécies –, propiciou em longo prazo a reconstituição flo­rística e estrutural desse trecho de encosta do Maciço da Tijuca. Diferentes autores têm se ocupado de pensar o lugar do homem neste momento de grandes incertezas.


A imagem por satélite dá uma noção da importância da Floresta (em verde) para o resto da cidade do Rio. As quatro áreas do Parque Nacional estão destacadas: a) Floresta da Tijuca; b) Serra da Carioca; c) Pedras Bonita/Gávea; d) Covanca e Pretos Forros

Os que nos antecederam na experiência da Tijuca apos­taram no futuro, no desconhecido e no improvável, e talvez nós tenhamos o grande desafio científico e humano, em face da contemporaneidade, de tornarmo‑nos, a cada dia, “pessoas que façam da oposição ao pensamento consagrado uma virtude”.

Texto escrito por Rejan R. Guedes‑Bruni, Jardim Botânico do Rio de Janeiro e PUC‑Rio
Fonte da Informação: http://www.comunitexto.com.br/pioneirismo-na-restauracao-de-florestas-tropicais-a-historia-da-floresta-da-tijuca/#.Vk5D7XarSM8?utm_source=Newsletter-19-11-2015&utm_campaign=Newsletter-19-11-2015+&utm_medium=email

segunda-feira, 23 de março de 2015

Recursos florestais: copa das árvores e classificação





A copa é a parte estrutural da árvore que contém e dá sustentação às folhas, que são o componente que transforma a energia radiante do Sol em substâncias orgânicas por meio da fotossíntese. De forma simplificada, pode-se dizer que é a copa que alimenta a árvore inteira, uma vez que os carboidratos fotossintetizados são a fonte da energia utilizada por todos os componentes da árvore.

A medição da copa é, portanto, um importante aspecto no estudo da estrutura e do crescimento das árvores. Há uma grande diversidade de forma e arquitetura das árvores e de suas copas. Em algumas espécies, a copa tem uma estrutura bastante simples e o seu componente lenhoso é pouco relevante quando comparado com o tronco.

É o caso das árvores com copa colunar e excurrente, em que a importância da medição da copa se restringe ao estudo do crescimento da árvore. Já nas árvores com copa decurrente, esta tende a ter uma estrutura bem mais complexa e pode conter uma proporção apreciável do volume lenhoso e da biomassa total da árvore.

Nesse caso, a medição da copa pode ser um aspecto importante para a quantificação do volume lenhoso ou da biomassa da árvore. Há uma série de medidas que estão associadas à copa e a importância de cada uma delas depende do objetivo com que o levantamento florestal é realizado.

Em levantamentos voltados ao estudo do crescimento e da ecofisiologia das árvores e florestas, várias medidas da copa podem ser efetuadas. Já nos levantamentos voltados ao inventário da produção florestal, é comum se realizar apenas observações qualitativas da copa.

Classe de copa

A posição da copa da árvore em relação às demais àrvores na sua vizinhança é um atributo qualitativo frequentemente observado em levantamentos florestais. Esse atributo é geralmente chamado declasse de copa e é uma boa indicação da situação ecológica e silvicultural da árvore no local da floresta em que ela se encontra.

O quadro abaixo apresenta as cinco classes geralmente reconhecidas, iniciando pelas árvores mais altas e dominantes. Essas cinco classes não são necessariamente aplicáveis a todas as florestas ou em todos os locais de uma mesma floresta, não sendo incomum se utilizar um sistema de classificação com um número menor de classes.

A definição das classes é um pouco diferente em florestas nativas e em florestas plantadas, mas, para uma mesma classe, existe uma relação análoga entre esses tipos de floresta. A classificação das árvores segundo a sua copa está estreitamente ligada à classificação das árvores segundo o grau de sombreamento das árvores.


Classe de copa para árvores em florestas nativas e plantadas. Retirado do livro “Quantificação de Recursos Florestais”. Ed. Oficina de Textos.

Como pode ser observado no quadro, as classes de copa têm uma relação direta com o sombreamento da copa e, em alguns levantamentos, se utilizam classes de sombreamento no lugar das classes de copa.

Em florestas plantadas homogêneas, as espécies arbóreas plantadas são, via de regra, intolerantes à sombra. Assim, a classe de copa indica o sucesso da árvore no processo competitivo que se estabelece entre as árvores à medida que estas crescem, veja esquema a seguir.


Esquema ilustrativo das classes de copa das árvores numa floresta plantada: (1) emergente, (2) dominante, (3) codominante, (4) intermediária e (5) dominada. Retirado do livro “Quantificação de Recursos Florestais”. Ed. Oficina de Textos.

As árvores dominadas e intermediárias são as com menor crescimento e maior probabilidade de morte, uma vez que as espécies intolerantes são ineficientes quando sombreadas. A diferenciação das árvores por classe de copa só pode ser observada depois do estabelecimento da competição. Ela é uma indicação qualitativa segura de que a floresta plantada não é mais uma floresta jovem, tendo entrado na fase de maturidade.

Nas florestas tropicais nativas, as classes de copa são uma indicação da posição da árvore nos estratos verticais da floresta. A grande diversidade de espécies arbóreas nessas florestas inclui um amplo espectro de respostas ao sombreamento que vai desde espécies totalmente intolerantes até espécies perfeitamente adaptadas ao ambiente luminoso do sub-bosque da floresta. Assim, a interpretação ecológica da classe de copa de uma árvore depende do conhecimento da espécie e de seu comportamento quanto ao sombreamento.


Fonte da Informação: http://www.comunitexto.com.br/