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quinta-feira, 2 de julho de 2015

As grandes regiões biogeográficas do planeta

Desde que as ideias evolucionistas de Darwin passaram a ser aceitas como explicação do processo de diversificação da vida na Terra, ficou evidente que as diferenças entre faunas e floras de continentes distintos deveriam ser resultado de histórias evolutivas diferenciadas.

Hoje se compreende perfeitamente que a movimentação dos continentes ao longo da história geológica como decorrência das dinâmicas de afastamento e aproximação das placas tectônicas, associada às flutuações climáticas de longo prazo, foi a responsável por processos evolutivos diferenciados em vários pontos da superfície terrestre, o que levou a uma diferenciação significativa na composição da fauna e da flora em cada uma das assim chamadas regiões biogeográficas do planeta.

Na primeira metade do século XIX, todavia, não existia ainda a principal chave para a compreensão desse fenômeno, que é a aceitação e o entendimento da deriva continental, cuja teoria, central para a explicação do movimento dos continentes, foi proposta pela primeira vez por Alfred Wegener em 1912 e só completamente aceita a partir da metade do século XX.

A ocorrência fóssil da flora de Glossopteris na África, Austrália, Antártida, sul da América do Sul e Índia, as semelhanças no recorte litorâneo das Américas, da Europa e da África e a similitude de rochas e dinâmicas estratigráficas entre esses continentes foram alguns dos elementos que levaram esse autor a propor, por meio da teoria mencionada, que todos os continentes atuais foram originalmente parte de um único supercontinente, chamado de Pangeia.

No entanto, como naquele momento ainda não havia nenhum mecanismo geológico conhecido capaz de fragmentar e mover continentes inteiros, essa teoria precisou esperar até a década de 1950 para que pudesse fazer sentido, com a descoberta da movimentação das placas tectônicas.

Adolf Engler, botânico alemão, foi muito importante por suas obras em Taxonomia Vegetal e Fitogeografia, “Die Natürlichen Pflanzenfamilien” ( As Famílias Naturais das Plantas)

Mesmo sem uma compreensão global dos mecanismos que promoveram tal diferenciação, o botânico alemão Adolf Engler (1844-1930) propôs, em 1879, uma primeira divisão ecológica do planeta levando em conta a distribuição de floras regionais visivelmente distintas.

Basicamente, ele dividia o mundo em quatro grandes zonas:
o domínio boreal extratropical, englobando a América do Norte, a Europa e o continente asiático ao norte do Himalaia;
o domínio paleotropical, englobando o continente africano do Saara para o sul, até as Índias Orientais;
o domínio sul-americano, englobando a América do Sul e a América Central, até o México;
e o domínio do velho oceano, estendendo-se da costa chilena, passando pelo extremo sul da África, pelas ilhas do Atlântico Sul e pelo Oceano Índico, até a Austrália e parte da Nova Zelândia.

Da mesma forma que Engler, Philip Sclater propôs, em 1858, um esquema para a divisão ecológica do planeta levando em conta a distribuição dos principais grupos de aves, partindo do princípio de que todas as espécies haviam sido criadas dentro da área na qual são encontradas hoje em dia. Essa divisão acabou sendo aceita e aprimorada por Alfred Russel Wallace, que incluiu dados de outras tantas espécies de vertebrados, incluindo mamíferos não voadores, os quais deveriam refletir as divisões naturais do planeta com mais precisão, tendo em vista as suas dificuldades de dispersão.

Ao aperfeiçoar a proposta de Sclater, Wallace propôs, em 1876, um mapa detalhado das seis regiões biogeográficas do planeta, veja figura abaixo, documento este que serviu como referência para os biogeógrafos por mais de um século, permanecendo sem nenhuma modificação.

Mapa das seis regiões biogeográficas proposto por Wallace em 1876, adaptado de Ritchison (s.d.). Retirado do livro Biogeografia de Adriano Figueiró e publicado pela Oficina de Textos.

Ben G. Holt e com um grupo de cientistas redividiram as seis regiões biogeográficas de Wallace em 11 regiões com base em informações mais detalhadas de distribuição de 20.000 espécies de aves, mamíferos e anfíbios. Veja imagem a seguir.

Mapa das 11 regiões biogeográficas proposto por Ben G. Holt e com um grupo de cientistas no artigo “An update of Wallace’s zoogeographic regions of the world”. Biogeografia de Adriano Figueiró e publicado pela Oficina de Textos.

Além da localização de um número maior de espécies de que dispunha Wallace, a atualização do mapa também levou em conta os registros de DNA dessas espécies, o que permitiu recompor relações de ancestralidade entre elas.


Fonte: http://www.comunitexto.com.br/as-grandes-regioes-biogeograficas-do-planeta/

segunda-feira, 23 de março de 2015

Recursos florestais: copa das árvores e classificação





A copa é a parte estrutural da árvore que contém e dá sustentação às folhas, que são o componente que transforma a energia radiante do Sol em substâncias orgânicas por meio da fotossíntese. De forma simplificada, pode-se dizer que é a copa que alimenta a árvore inteira, uma vez que os carboidratos fotossintetizados são a fonte da energia utilizada por todos os componentes da árvore.

A medição da copa é, portanto, um importante aspecto no estudo da estrutura e do crescimento das árvores. Há uma grande diversidade de forma e arquitetura das árvores e de suas copas. Em algumas espécies, a copa tem uma estrutura bastante simples e o seu componente lenhoso é pouco relevante quando comparado com o tronco.

É o caso das árvores com copa colunar e excurrente, em que a importância da medição da copa se restringe ao estudo do crescimento da árvore. Já nas árvores com copa decurrente, esta tende a ter uma estrutura bem mais complexa e pode conter uma proporção apreciável do volume lenhoso e da biomassa total da árvore.

Nesse caso, a medição da copa pode ser um aspecto importante para a quantificação do volume lenhoso ou da biomassa da árvore. Há uma série de medidas que estão associadas à copa e a importância de cada uma delas depende do objetivo com que o levantamento florestal é realizado.

Em levantamentos voltados ao estudo do crescimento e da ecofisiologia das árvores e florestas, várias medidas da copa podem ser efetuadas. Já nos levantamentos voltados ao inventário da produção florestal, é comum se realizar apenas observações qualitativas da copa.

Classe de copa

A posição da copa da árvore em relação às demais àrvores na sua vizinhança é um atributo qualitativo frequentemente observado em levantamentos florestais. Esse atributo é geralmente chamado declasse de copa e é uma boa indicação da situação ecológica e silvicultural da árvore no local da floresta em que ela se encontra.

O quadro abaixo apresenta as cinco classes geralmente reconhecidas, iniciando pelas árvores mais altas e dominantes. Essas cinco classes não são necessariamente aplicáveis a todas as florestas ou em todos os locais de uma mesma floresta, não sendo incomum se utilizar um sistema de classificação com um número menor de classes.

A definição das classes é um pouco diferente em florestas nativas e em florestas plantadas, mas, para uma mesma classe, existe uma relação análoga entre esses tipos de floresta. A classificação das árvores segundo a sua copa está estreitamente ligada à classificação das árvores segundo o grau de sombreamento das árvores.


Classe de copa para árvores em florestas nativas e plantadas. Retirado do livro “Quantificação de Recursos Florestais”. Ed. Oficina de Textos.

Como pode ser observado no quadro, as classes de copa têm uma relação direta com o sombreamento da copa e, em alguns levantamentos, se utilizam classes de sombreamento no lugar das classes de copa.

Em florestas plantadas homogêneas, as espécies arbóreas plantadas são, via de regra, intolerantes à sombra. Assim, a classe de copa indica o sucesso da árvore no processo competitivo que se estabelece entre as árvores à medida que estas crescem, veja esquema a seguir.


Esquema ilustrativo das classes de copa das árvores numa floresta plantada: (1) emergente, (2) dominante, (3) codominante, (4) intermediária e (5) dominada. Retirado do livro “Quantificação de Recursos Florestais”. Ed. Oficina de Textos.

As árvores dominadas e intermediárias são as com menor crescimento e maior probabilidade de morte, uma vez que as espécies intolerantes são ineficientes quando sombreadas. A diferenciação das árvores por classe de copa só pode ser observada depois do estabelecimento da competição. Ela é uma indicação qualitativa segura de que a floresta plantada não é mais uma floresta jovem, tendo entrado na fase de maturidade.

Nas florestas tropicais nativas, as classes de copa são uma indicação da posição da árvore nos estratos verticais da floresta. A grande diversidade de espécies arbóreas nessas florestas inclui um amplo espectro de respostas ao sombreamento que vai desde espécies totalmente intolerantes até espécies perfeitamente adaptadas ao ambiente luminoso do sub-bosque da floresta. Assim, a interpretação ecológica da classe de copa de uma árvore depende do conhecimento da espécie e de seu comportamento quanto ao sombreamento.


Fonte da Informação: http://www.comunitexto.com.br/

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Geoecologia: paisagens em foco


As paisagens são entidades, no sentido de que constituem um objeto com dimensão definida na superfície terrestre e possuem ritmo e desenvolvimento dependentes das leis da Física.

Essas características dependem da dinâmica interna e externa do planeta, bem como dos movimentos orbitais e das relações cósmicas ao longo do tempo geológico. Contudo, as paisagens podem ser (e são) humanizadas por diferentes conjuntos culturais ao longo da história da sociedade, o que lhes confere um novo caráter sem excluir sua dependência das leis da Física.

Esse novo caráter, cultural, possui manifestações materiais e imateriais e afeta o funcionamento geoecológico e as decisões sobre seu destino. Como  indivíduos geográficos, as paisagens agregam elementos e processos com diferentes naturezas, dimensões e durações que, relacionando-se numa determinada área da superfície terrestre, dão origem a uma unidade visível.

 Essa unidade visível provoca e se relaciona com o espírito humano, tornando-se sujeita às ações e decisões dos indivíduos e da sociedade conforme seus interesses variados. Nesse sentido geográfico, as paisagens são unidades geoecológicas resultantes da interação complexa de processos naturais e culturais.

Elas podem se originar, existir e desaparecer sem a interferência humana, mas sua representação não é independente da cultura. Desse modo, a sociedade cria discursos sobre a paisagem, que podem ser utilizados de modos diversos para propósitos variados. Nesse contexto, a sociedade busca sua realização tentando adequar seus interesses aos recursos disponíveis na paisagem.

Muitas vezes essa relação é conflitante, gerando consequências indesejadas, e daí a importância da Geoecologia como ferramenta de suporte à decisão sobre o uso das paisagens.




Fonte da informação: http://www.comunitexto.com.br/geoecologia-paisagens-em-foco/#.VBB3j0uhM4N